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ANTONIO VERONESE AU CARROUSEL DU LOUVRE

 

antonio-veronese  30/10/2012

 

 

   

Le Vernissage
Entrevista à Mideart-Paris  

 

Mideart- O que representa pra você expor aqui no Carrousel do Louvre ?

Antonio Veronese- Eu quero, antes de mais nada, agradecer à direção do Museu MILLET (Jean-François Milletresponsável pela seleção dos artistas, e aos amigos que ajudaram tanto...Eu estou muito feliz. E' muito bom ver os quadros expostos junto a um muro do século III da era cristã... Eu mesmo ainda não digeri bem essa história.

 

Mideart- Os trabalhos que você está expondo aqui são todos inéditos?

Veronese- Não, pelo contrário, são todos oriundos da exposição que acabei de fazer em Saint Germain des Près. Só acrescentei o "Velho au Fauteil Blanc" (1) que já participou da exposição no Grand Palais.  

 

M-  Por que você não fez novas pinturas para essa exposição aqui? Faltou inspiração? 

Veronese- Não, foi por falta de tempo mesmo. Fiz uma maratona de 22 (exposições) em 48 meses... Por isso eu juntei coisas diferentes aqui.

 

M-  Eu acabei de presenciar uma cena no mínimo curiosa... uma  senhora  que veio ver tua exposição, e que se recusa a acreditar que você é o Antonio Veronese-. Você pode me explicar isso?

Veronese- Isso acontece sempre...as pessoas acham que sou um velho casmurro de 90 anos. Quando vêem que sou um pouco mais novo, ficam decepcionadas.

 

M-  Quem conhece tua pintura e não te conhece pessoalmente faz uma expectativa diferente do físico do pintor? Eh isso?

Veronese- Do físico e da personalidade. Imaginam que eu vou chegar aqui soltando fogo pelas ventas...Quando me vêem assim, de bom humor, conversando com as pessoas,  acham que eu não sou eu.

 

M-  Seria porque tua pintura é muito triste?

Veronese- Eu não acho triste, não vejo tristeza. Eu jamais pintei nada pra expressar tristeza ou melancolia. Pra se ocupar disso o vinho é mais eficaz... Eu acho que quem melhor entendeu minha pintura foi Modesto Lanzone (diretor do Museu Italo-Americano de San Francisco- USA)* que fala em "perplexidade" e não em "tristeza". A leitura "triste" é mais imediata, mais superficial. Mas é assim mesmo, cada um vê de uma maneira muito subjetiva. Guimarães Rosa via no olhar de um cavalo toda a tristeza do mundo... tem gente que chora ouvindo Mahler (Gustav Mahler), outros se exultam... 

 

M-  Você chora ou se exulta ouvindo Mahler?

Veronese- Exulto-me !!

  

M-  Você conseguiu espaço pra defender as suas posições no Brasil e no exterior. Isso dá força à tua indignação?

Veronese- Talvez, mas nao  ajuda muito. Nós vivemos hoje sob o jugo absoluto da estupidez...

 

M- E' função do artista lutar contra isso?

Veronese- é !

 

M-  Você trabalha quantas horas por dia ?

Veronese-   14 horas, todos os dias...

 

Mideart-  E vende tudo que pinta?

Veronese- Se vendesse "tava" milionário

   

M- Os críticos chamam tua pintura de expressionismo orgânico. O que vem a ser isso?

Veronese- Eu não gosto muito de dar nome aos bois. Isso eu deixo pra vocês. O Tom (Tom Jobim) dizia que dar nome às coisas dificulta a compreensão. Mas essa história de expressionismo orgânico acho que é por causa do vermelho, da guturalidade, da viscosidade da textura, enfim dessa organicidade que começou em 2008 com a exposição na Unesco (Paris) .

 

M-  Por que a tua vinda para a França mudou tanto a tua pintura?

Veronese- No Brasil eu estava muito envolvido com os bastidores da violência do Rio... a minha experiência com meninos e meninas presos, a tentativa de denunciar aquele gulag ...A pintura era mais narrativa, tinha uma urgência denunciatória. Aqui, ainda que a minha indignação com essa a violência continue, eu me livrei dessa literalidade na pintura. 

 

 

M- Antonio Veronese, você é chamado de polemista, de insurreto, de provocador... vive numa floresta na França mas briga com a burguesia e a imprensa  brasileiras, escrevendo artigos raivosos contra o Rio... Por que você é  tão   invocado ?       

Veronese- Eu não escrevo artigos contra o Rio, eu escrevo artigos apaixonados pelo Rio. Se eu tivesse abandonado as minhas picuinhas cariocas iam dizer que eu "voltei americanizado" . Eu moro aqui fora mas eu sou brasileiro, meu coração é carioca... Criticar é uma forma aguda de amar!

 

 

M- Dizer que a elite pensante do Rio cabe no Canecão é uma forma de amar?

Veronese- E' uma constatação "prenha" da esperança de que as coisas mudem.

 

M- Uma vez eu escrevi ao Mauro Ventura (jornalista) falando de você e ele me disse: "porra, como esse cara escreve bem!" Você poderia  fazer outra coisa na vida, em vez da pintura?

Veronese- Não acredito. Quando era novo eu queria fazer música,  mas a pintura se impôs... 

  

M- Por que é que você diz que o teu título de cidadania carioca foi dado pelo Tom Jobim?

Veronese- O catálogo da minha primeira exposição individual foi escrito pelo Tom. Leia o que ele escreveu, e você vai entender. (2)

 

M- As pessoas comentam muito esse vermelho. De onde veio esse vermelho "veronese" ?

Veronese-  Das tripas, é de lá que ele vem!

 

M-Eu pedi a algumas pessoas que estão aqui hoje para definirem teus quadros com uma só palavra. E as respostas são sempre: forte, violento... Você busca essa violência?

Veronese- Eu não busco nada de propósito. Mas quando um rosto é só uma imagem de vaudeville eu tento desequilibrar com alguma violência. 

 

M- Por que violência?

Veronese-  Porque " la violence seule peut achever la brutalité des hommes". (3)

 

M- Explica como é que você foi convidado a um salão de arte sino-francês,  sem ser nem chinês nem francês.

Veronese- A seleção foi feita pelo Museu MILLET. Acho que eles levaram em conta o fato do meu trabalho hoje ser todo "made in France",  independentemente da minha nacionalidade.

 

M- Expor com LIYANG, GAO ZHAN, LI BINGYAO e outros importantes artistas chineses, abre espaço pra tua pintura na China? 

Veronese- Há dois anos a televisão estatal chinesa (CCTV) passou dois dias comigo em BARBIZON. Eles fizeram um document'ario que foi exibido lá na China. Talvez isso explique o convite que recebi pra essa exposição aqui. Mas é difícil saber, eles falam pouco e são muito formais...

 

 

M- Essa exposição foi organizada pela França ou pela China?

Veronese- Essa exposição é organizada pela (lendo o convite): Chine International Exhibition Agency, pela Societé Nationale des Beaux Arts; pela Chine Arts and Entertainment Group; e pelo Centro des Echanges Culturels et Artistiqyes Franco-Chinois. Viu, lendo eu sei tudo.

 

M- E no Brasil,  quando é que você vai expor?

Veronese-Quando me convidarem.

 

M-Quando foi a última vez lá no Brasil?

Veronese- Minhas últimas exposições no Brasil foram em 1998, 1999 e 2000... as três no MNBA no Rio. Em 2004 eu me mudei pra cá, e não fui mais convidado no Brasil. Acho que se esqueceram de mim lá.

 

M- Conta essa história de que você veio pra França porque foi ameaçado de morte no Brasil?

Veronese- Não foi nada disso. Já falei isso mil vezes. Sempre me perguntam isso por causa de uma entrevista que eu dei em 2009, quando mencionei uma ameaça que sofri em 1992,  por causa da retirada que fiz da favela do Alto Leblon. Mas eu só saí do Brasil em 2004, portanto doze anos depois, mas a jornalista embaralhou as coisas... Eu não vim pra França por causa de ameaça. Vim porque a minha  exposição em Paris em 2003 foi bem.

 

M-Você pretende voltar a morar no Brasil?

Veronese- O meu trabalho hoje é todo aqui. O pessoal quer que eu trabalhe mais nos EEUU, onde já fiz sete exposições. Também está começando alguma coisa na Ásia, principalmente por causa da exposição que fiz no Museu Asago, no Japão, e esta exposição aqui pode ajudar. Ano que vem devo ir a Dubai também.  Por isso voltar a morar no Brasil agora é impossível, ainda que às vezes eu sinta um banzo danado!...

  

M- A Revista francesa La VIE escreve que a tua pintura "é a vida em toda sua beleza e violência ". E' isso?

Veronese-Ah isso é você que tem que dizer aí...

  

M- E o quadro roubado na exposição de Barbizon...Você recuperou?

Veronese- Não, sumiu. Mas ainda  vou achá-lo... O ladrão vai ter a desagradável surpresa de ver o quadro que está na casa dele,  no site da Interpol 

 

M- Eh verdade que o Bernard Arnault  quis comprar um dos teus quadros ?

Veronese- Ele publicou uma foto de um dos  meus quadros no pagina dele na internet, mas não entrou em contato comigo pra comprar. Tô esperando...

 

M- quanto custa um quadro teu?

Veronese- quanto você quer pagar?

 

M- Antonio Veronese, muito obrigado pela entrevista e muita sorte com essa nova exposição que é lindíssima. Vou deixar você com os seus convidados.

Veronese- Obrigado.  Acabou em boa hora, ta na hora do champagne...  

 

 Antonio Veronese au Carrousel du Louvre 

Antonio Veronese au Carrousel du Louvre:

 

Referências:

 

*

J'entends dire que les visages de Veronese évoquent les enfants prisonniers... Mais c'est là une idée réductrice. Il est vrai que sa proximité pendant des années avec ces enfants en détresse a fortement marqué sa peinture, mais ce qu´elle dégage est plus profond. En réalité, c'est notre perplexité que peint Veronese, notre impuissance face à la vie et face au monde actuel. Voilà pourquoi il est au-delà des modes, voilà pourquoi c'est un classique. Il manquait à notre époque, empoisonnée par l´abstractionnisme galopant et par le nihilisme de l'art conceptuel, quelqu´un qui dessine le visage de la contemporanéité. C'est précisément ce que Veronese est en train de faire. 

Modesto Lanzone, Italo-American Museun of San Francisco.

 

1-  Vieux au fauteuil Blanc ( Velho no sofá  branco)

 

2-  Fac-simile de parte do texto de Tom Jobim para a exposiçao de Veronese na Galeria IDEA, no Rio, em 1990:

 

"...Rio, a parte que Deus fez continua linda, mas a parte dos homens vai mal.  A pintura de Veronese é uma emocionada reação civil à situação que se encontra a cidade que ele ama, que nós amamos.. Nela existem também moças bonitas que eu, fosse um rapaz solteiro, gostaria de namorar..."

 

3-  Somente a violência pode terminar com a brutalidade dos homens- Jean Genet

 

 

Le Carrousel du Louvre-Paris 

X
 
 

 

X
 

 

 

 

 

 

 

http://antonioveronese.over-blog.com/pages/antonio_veronese_au_Carrousel_du_Louvre-6357688.html

 
CARROUSEL DU LOUVRE- PARIS
 
Entrevista  Antonio Veronese au Carrousel du Louvre

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