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      antonio veronese

 

 

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Faça tua parte, companheiro! 

 Nossos políticos são somente um sintoma da sociedade em que nos transformamos.

 
 
 
Quando tudo acaba em pizza o que, concretamente, você faz?  Quantas vezes você fica puto e, já no dia seguinte, toca a vida como se nada tivesse acontecido? Seja sincero: quantas vezes? 
 
Eu acho que chega uma hora em que a gente tem que encarar essa nossa passividade macunaimica. Encarar de frente essa nossa hipocrisia de não reagir nunca e, apesar disso, estar sempre “muito puto” com as falcatruas de Brasília, com a letargia do Judiciário, com a imoralidade dos hospitais públicos, com a falência da escola pública, com a truculência covarde da polícia na sua relação com os pobres, com a selvageria de cem mil brasileiros ceifados a cada ano pela violência das armas e do trânsito… 
 
Chega uma hora em que é preciso acordar e reconhecer que todos nós -portanto você também!- somos co-responsáveis pelas nossas seculares endemias. Chega uma  hora em que é preciso entender que nao basta simplesmente  dizer “isso é uma vergonha!”,  e começar a ter, nós mesmos, vergonha na cara . 
 
Chega uma hora em que é preciso deixarmos de ser  esta espécie de armada brancaleone, que berra berra e nada faz,  e reinstalarmos nesse país a "liturgia da cidadania".  Eh ela que  que conserta e refaz, que dá o murro na mesa na hora em que tem que dar.    Eh  a cidadania que deve sitiar o Congresso Nacional cada vez que ali se faz uma patifaria, impondo, num corpo-a-corpo cívico, a nossa indignação mais profunda, o  direito à insolência cidadã quando a insolência maior for o desrespeito à causa pública. Eh cidadania  que submete o político corrupto à lâmina cortante do olhar  cidadão, e que convida  a "cara feia" do povo ao seio do Parlamento.  
 
Eh a liturgia da cidadania que deixa clara a nossa soberana indignação, asfixiando  pela falta de votos o corrupto notório que se locupletou à sombra da nossa passividade. Eh ela que nos faz ter voz ativa, em vez de colocar a culpa somente nos políticos. Colocar a culpa somente nos políticos é fácil,    sobretudo num país que negou a releição a Antonio Carlos Biscaia e fez de Paulo Maluf  o mais votado do país. 
 
 Eh a "liturgia da cidadania" que nos autoriza a tocar a campainha na casa do juiz que dorme em pijamas de seda no apartamento pago com dinheiro desviado na super-faturação.  Eh a "liturgia da cidadania" que nos autoriza, por que não, a telefonar ao  deputado pilantra que acumula contas no exterior e que, apesar delas, se faz eleger como o mais votado do país…  
 
Eh a "liturgia da cidadania" que nos autoriza tocar a campainha na porta do presidente da companhia aérea recordista de acidentes na história da aviação brasileira,  pra que ele sinta, na brasa do nosso olhar cidadão, o drama  dos parentes das suas vítimas indefesas. Que nos autoriza a  visitar o magistrado que finge que julga e libera o assassino confesso e covarde, que mata pelas costas e depois toma sol à beira-mar num escárnio à Justiça.  Que faz justo mostrar, num cara-a-cara sereno, a força da nossa indignação vigilante.
 
Eh a "liturgia da cidadania" que nos autoriza, serenamente!,  dar voz de prisão (com  já fiz) ao funcionário dos correios da Gavea que cedeu à ordem espúria de fechamento vinda de traficantes?  Que nos obriga -e que seja esse um dever cidadão!- a respeitar os limites legais de velocidade, deixando clara nossa indignação, no ato do delito, ao patife que voa nas madrugadas do Rio, pondo em risco a vida de inocentes.
 
  Eh a "liturgia da cidadania" que nos conclama ao cerco cívico da truculência, dos  “machoes” contumazes  que, à ausência de massa cinzenta, usam como argumento a força bruta e a pancadaria.  Eh ela que nos obriga, nas altas da madrugada, a denunciar onde dorme bêbado o traficante que inferniza a comunidade durante o dia, e a 
 anotar a placa do consumidor filhinho-de-papai que sobe o morro pra comprar cocaína, verdadeiro financiador da violência. Sem ter medo de sermos classificados de “alcaguetes” porque esse anacronismo, atropelado pela septicemia  da criminalidade, hoje serve  aos carrascos e desserve à segurança de inocentes. 
 
   Eh a "liturgia da cidadania" que nos conclama a "policiar" quem não respeita a lei do silêncio,   quem joga lixo nas ruas,  quem desdenha sinal vermelho,  quem não respeita a experiência nem a fragilidade dos mais velhos… Que nos faz vigilantes diante de toda sorte de caricatos, a quem a lei não sensibiliza nem intimida,  deixando claro, de uma vez por todas, que eles estão sitiados por esse exército da cidadania, essa força vigilante e legitima a serviço do respeitar e do fazer respeitar as leis, desarmado mas não inerme. 
 
É fácil fingir indignação e fazer de conta que estamos todos revoltados. Eh fácil fazer de conta que nós não somos responsáveis por essa sociedade passiva, truculenta, superficial, argentária e insensível em que nos transformamos.
 
Difícil, mas não impossível, é ter coragem e  força para nos propor  um novo tempo, um novo destino. 
Faça a tua parte, companheiro!
 
Antonio Veronese
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antonio veronese, faça tua parte, companheiro!

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